Quinta-Feira, 23 de Julho Paraguaçu Paulista 0ºC - 0ºC veja mais

Jacarés invadem lagoas de tratamento de esgoto de presídio, em Presidente Bernardes

04/08/2022 - Corporação conseguiu resgatar três répteis e soltá-los no Parque Estadual do Rio do Peixe


Jacarés invadem lagoas de tratamento de esgoto de presídio, em Presidente Bernardes

A Polícia Militar Ambiental capturou três jacarés-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) em lagoas que fazem o tratamento de esgoto da Penitenciária Silvio Yoshihiko Hinohara, a P1, em Presidente Bernardes (SP), nesta quarta-feira (3). Depois da captura, os répteis foram soltos na área do Parque Estadual do Rio do Peixe, em Presidente Venceslau (SP) (veja o vídeo acima).

A estimativa da Polícia Ambiental é de que ainda exista um total de sete jacarés em circulação na área onde ficam as lagoas de tratamento de esgoto do presídio, em Presidente Bernardes, e, por isso, prevê a captura gradual de todos os animais, mas sem prazo previsto para a conclusão da operação, para evitar estresse aos répteis.

O capitão Júlio César Cacciari de Moura, que é o comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar Ambiental, com sede em Presidente Prudente (SP), detalhou como foi montada a operação de resgate dos répteis.

“Jacarés são animais de vida longa e alta capacidade de adaptação, são especialistas em sobrevivência, conseguem passar meses sem se alimentar. Os animais foram retirados através de contenção mecânica, com uso de equipamentos como redes, pinças e jaulas de contenção”, explicou Cacciari.

Segundo o tenente Marcel Fabrício Soares Silva, que também é oficial da Polícia Ambiental, o surgimento dos répteis nas lagoas do presídio, que ficam próximas à Rodovia Raposo Tavares (SP-270), se deu pela presença de uma mata no entorno do local.

A hipótese levada em consideração pela polícia é a de que os jacarés saem da mata e se deslocam até as lagoas de tratamento de esgoto do presídio durante o período noturno.

“Próximo ao presídio, existe uma mata e, por lá, passa o Ribeirão Guaiçara. Provavelmente essa é a origem desses animais, que têm grande capacidade migratória”, justificou ao g1.

Ainda de acordo com o tenente, eles não apresentam riscos de ataque a seres humanos.

“Não há relatos de ataques desses animais a seres humanos na região. O normal é eles fugirem. O animal quando entra na represa de tratamento, muitas vezes, não consegue sair sozinho e, por ser um ambiente insalubre, é retirado, pela própria segurança e saúde do animal”, complementou ao g1 o oficial.

O biólogo Luiz Waldemar de Oliveira comentou a presença dos animais nas lagoas de tratamento de esgoto e mencionou questões comportamentais.

 “Eles se dispersam em busca de locais apropriados para se alimentarem e reproduzirem. Sempre seguem cursos d'água.”, disse o biólogo.

 “São selvagens e, por menores que sejam, quando se sentem ameaçados, se defendem atacando. Não há risco com transmissão de doenças, somente lesões físicas”, complementou.

Oliveira deu uma orientação sobre o que fazer em condições de aparecimento destes répteis em ambientes urbanos.

“O ideal, quando um jacaré aparece em ambiente urbano, é acionar a Polícia Ambiental e jamais tentar manuseá-lo”, finalizou o biólogo.

Jacarés foram capturados em lagoas de tratamento de esgoto de presídio em Presidente Bernardes (SP) e soltos no Parque Estadual do Rio do Peixe, em Presidente Venceslau (SP), nesta quarta-feira (3) — Foto: Polícia Militar Ambiental

 

Os jacarés, que foram soltos no Parque Estadual do Rio do Peixe, têm idades aproximadas de sete meses a um ano e, conforme a Polícia Ambiental, possuem cerca de um metro de comprimento.

Na operação, os répteis não passaram por pesagem, pois estavam em estado bravio após a captura.

Ainda segundo a polícia, a retirada de todos os animais da área do presídio será feita de forma lenta, porém, contínua, para não causar estresse aos répteis.

Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo informou que a Penitenciária Silvio Yoshihiko Hinohara acionou a Polícia Militar Ambiental nesta quarta-feira (3) para resgatar três jacarés que apareceram nas lagoas de tratamento de esgoto da unidade prisional, em Presidente Bernardes.

"Os animais foram vistos por dois funcionários de empresa privada, que fazem a manutenção diária no local. Após serem capturados pelos policiais, com os devidos equipamentos de segurança, os animais foram encaminhados a ambiente apropriado a fim de evitar acidentes e preservar a integridade deles e das pessoas que trabalham ali", salientou a SAP ao g1.

Ainda de acordo com a SAP, a unidade prisional possui cinco lagoas para tratamento de esgoto próximas às margens de uma rodovia e de propriedade vizinha, onde existe uma área de preservação, de onde provavelmente os jacarés migraram em busca de alimentos.

Sobre a espécie

O jacaré-de-papo-amarelo é distribuído pela Mata Atlântica, na região leste do Brasil (do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul), e também aparece no Uruguai, no norte e no nordeste da Argentina, no Paraguai e no leste da Bolívia.

O réptil vive em brejos, mangues, lagoas, riachos e rios.

Os filhotes alimentam-se de insetos e invertebrados. Já os adultos comem peixes, caramujos, aves e pequenos mamíferos.

No verão, o macho copula com várias fêmeas. A fêmea constrói o ninho próximo à água, cobrindo-o com folhas secas, gravetos e terra. Em média, são postos de 30 a 50 ovos e a incubação varia entre 70 e 90 dias.

O jacaré-de-papo-amarelo pode atingir 3 metros de comprimento. Mas esse tamanho é raro e, normalmente, mede de 1,5 a 2 metros.

Jacarés foram capturados em lagoas de tratamento de esgoto de presídio em Presidente Bernardes (SP) e soltos no Parque Estadual do Rio do Peixe, em Presidente Venceslau (SP), nesta quarta-feira (3) — Foto: Polícia Militar Ambiental

 

É um animal esverdeado, quase pardacento, com o ventre amarelado e o focinho pouco largo e achatado. O focinho dele é menor do que o das outras espécies e atrás da cabeça possui escamas em fileiras cervicais.

A fêmea permanece próxima ao ninho para evitar ataques de predadores, como são os casos do lagarto teiú, do quati e do mão-pelada. Próximo à eclosão dos ovos, os filhotes vocalizam chamando a mãe que desmancha o ninho usando os membros anteriores e posteriores, e o focinho. A fêmea carrega cada um na boca até a água, cuidadosamente.

O macho cuida dos recém-nascidos que já estão na água e os pais permanecem próximos aos filhotes, protegendo-os, contra os predadores, em especial, garças e outras aves grandes.

Esses animais exibem traços herdados dos antepassados. É um réptil contemporâneo dos dinossauros, que habitavam a Terra há milhões de anos, e que conseguiu sobreviver às grandes transformações do planeta.

 

Fonte: G1 Presidente Prudente



MAIS NOTÍCIAS

Campo de girassóis vira sensação e atrai visitantes na ETEC de Paraguaçu Paulista

Motoristas que trafegam pela rodovia e moradores da cidade fazem pausa no local para apreciar vista

Eixo SP reforça alerta para trecho em obras no acesso a Maracaí

Alteração no tráfego na ligação com a SP 284 e movimentação intensa de máquinas, exigem atenção

Após previsão de mudanças no clima, Energisa reforça orientações de segurança para dias chuvosos

Há possibilidades de ventos fortes e descargas atmosféricas a partir desta quarta-feira (22).

Homem de 32 anos é preso por tráfico de drogas em Paraguaçu Paulista

Ele foi preso próximo a uma escola, após tentar fugir de abordagem policial.

Anvisa aprova medicamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltipla

Passam a ser liberados o belimumabe e o ocrelizumabe

Corpo de homem que desapareceu após mergulho no rio paranapanema é encontrado em Iepê

David Santim desapareceu no fim da tarde de sábado, 18, após entrar no rio.

Dupla é presa suspeita de tráfico de drogas perto de escola em Presidente Epitácio

Polícia Civil apreendeu cocaína, celulares e uma moto.

Homem descumpre medida protetiva, se recusa a sair da casa da ex e acaba preso em Assis

O indiciado permaneceu preso a disposição da justiça.

ANUNCIE DIVULGUE