Quando o próprio organismo se torna o alvo
07/11/2026 - Confira o artigo da Médica Veterinária Dra. Ana Beatriz de Oliveira.
O lúpus também pode acometer cães e, embora não esteja entre as doenças mais frequentes da rotina veterinária, merece atenção por se tratar de uma enfermidade imunomediada. Isso significa que o sistema imunológico, que normalmente protege o organismo contra agentes externos, passa a reagir de maneira inadequada contra estruturas do próprio animal. Na medicina veterinária, podemos encontrar diferentes apresentações da doença. Entre elas estão o lúpus eritematoso discoide, que acomete principalmente a pele, e o lúpus eritematoso sistêmico, uma condição mais complexa capaz de envolver diferentes órgãos e sistemas. No lúpus discoide, alterações na região do focinho estão entre as manifestações mais características, podendo ocorrer perda da pigmentação, vermelhidão, descamação, crostas, erosões, feridas e alterações na textura normal do plano nasal. A exposição à radiação solar pode agravar as lesões em alguns pacientes, tornando a proteção contra o sol uma parte importante do manejo. Já no lúpus sistêmico, os sinais podem ser bastante variados, justamente porque diferentes estruturas do organismo podem ser afetadas. Febre, apatia, dores articulares, dificuldade para caminhar, alterações sanguíneas, lesões de pele e comprometimento renal estão entre as possíveis manifestações. Essa variedade também torna o diagnóstico um desafio: não existe apenas um sinal ou um único exame capaz de confirmar todos os casos. O médico veterinário precisa reunir o histórico do paciente, exame clínico, exames laboratoriais e, dependendo da apresentação, avaliações específicas como análise de urina, testes imunológicos e biópsia de pele. O tratamento também varia conforme o tipo e a gravidade da doença. Como existe uma resposta exagerada do sistema imunológico, alguns pacientes necessitam de medicamentos imunomoduladores ou imunossupressores e acompanhamento periódico para avaliar tanto a resposta ao tratamento quanto possíveis efeitos adversos. É importante que o tutor não interrompa ou altere essas medicações por conta própria, mesmo quando as lesões desaparecem ou o animal demonstra melhora. O lúpus pode exigir acompanhamento prolongado e cada paciente responde de maneira diferente. Perceber alterações persistentes na pele, principalmente no focinho, ou sinais como febre recorrente, dores articulares e mudanças inexplicáveis no estado geral é motivo para procurar avaliação. Quando falamos de doenças imunomediadas, observar o conjunto dos sinais e investigar corretamente faz toda a diferença para estabelecer o diagnóstico e proporcionar qualidade de vida ao animal.
*Dra. Ana Beatriz de Oliveira | Médica Veterinária | CRMV-SP 57.523
Pós-graduada em Dermatologia Veterinária e Clínica Médica de Pequenos Animais Fundadora da Vet Academy | Centro de Formação em Medicina Veterinária
Atuante nas áreas de Clínica Médica, Emergência e Terapia Intensiva de Pequenos Animais Colunista de Medicina Veterinária e Saúde Animal
Pós-graduanda em Oncologia Veterinária
Pós-graduanda em Endocrinologia Veterinária Pós-graduanda em Clínica Médica de Felinos Pós-graduanda em Diagnóstico por Imagem
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