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Osso não é petisco

17/10/2026 - Confira o artigo da Médica Veterinária Dra. Ana Beatriz de Oliveira.


Osso não é petisco

Oferecer um osso ao cão pode parecer algo natural e até uma forma de agradá-lo, mas esse hábito pode trazer consequências importantes para a saúde. Ossos, principalmente quando cozidos, assados ou fritos, podem ficar mais quebradiços e se fragmentar em pontas afiadas durante a mastigação. Esses fragmentos podem provocar ferimentos na boca, fraturas dentárias, engasgos e lesões ao longo do trato gastrointestinal. Em alguns casos, o osso pode ficar preso no esôfago, estômago ou intestino, causando uma obstrução que pode exigir atendimento de emergência e até intervenção cirúrgica. Fragmentos pontiagudos também podem perfurar o sistema digestório, permitindo o extravasamento de conteúdo para a cavidade abdominal e ocasionando complicações graves. Mesmo quando conseguem atravessar o trato gastrointestinal, grandes quantidades de material ósseo podem formar fezes muito secas e endurecidas, dificultando ou impedindo a evacuação. Ossos de frango e outras aves merecem atenção especial por serem pequenos e poderem se fragmentar, mas isso não significa que ossos bovinos ou de maior tamanho sejam totalmente seguros: eles também podem causar fraturas dentárias, engasgos e outros acidentes. Em gatos, a ingestão de ossos também representa risco e não deve ser tratada como uma prática inofensiva. Caso o animal tenha ingerido um osso, principalmente se apresentar salivação excessiva, dificuldade para engolir, tentativas de vomitar, vômitos, dor abdominal, falta de apetite, dificuldade para defecar, sangue nas fezes ou alteração de comportamento, procure atendimento veterinário. Não tente provocar o vômito e não ofereça alimentos ou receitas caseiras com a intenção de “empurrar” o osso sem orientação profissional. Existem opções de petiscos e produtos desenvolvidos especificamente para cães e gatos que podem proporcionar mastigação e enriquecimento de maneira mais apropriada. Antes de oferecer algo diferente ao seu animal, converse com o médico veterinário. Afinal, aquilo que parece apenas um agrado pode acabar se transformando em uma emergência.

 

*Dra. Ana Beatriz de Oliveira | Médica Veterinária | CRMV-SP 57.523

Pós-graduada em Dermatologia Veterinária e Clínica Médica de Pequenos Animais Fundadora da Vet Academy | Centro de Formação em Medicina Veterinária

Atuante nas áreas de Clínica Médica, Emergência e Terapia Intensiva de Pequenos Animais Colunista de Medicina Veterinária e Saúde Animal

Pós-graduanda em Oncologia Veterinária

Pós-graduanda em Endocrinologia Veterinária Pós-graduanda em Clínica Médica de Felinos Pós-graduanda em Diagnóstico por Imagem



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