Artista de Paraguaçu conclui terceiro mestrado e apresenta trabalhos em Salvador, Recife e Paris
24/09/2026 - Grisa é natural de Assis e cresceu em Paraguaçu Paulista e vem tendo destaque em seu trabalho.
A artista multimídia, compositora e pesquisadora Giovana Ribeiro Santos - natural de Assis e que cresceu em Paraguaçu Paulista - que desenvolve seu trabalho artístico sob o nome Grisa, vive um novo momento de sua trajetória artística e acadêmica. Neste semestre, concluiu seu terceiro mestrado, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens (PPGACL), do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora (IAD/UFJF). Poucos dias após a defesa, a artista iniciou uma sequência de apresentações e exposições no Brasil e no exterior, com trabalhos em Salvador, Recife e Paris, além de shows em São Cristóvão, Feira de Santana, Maceió e João Pessoa.
No dia 16 de setembro, Grisa realizou no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia), em Salvador, a performance “Timbres Visíveis: som e pintura”. Durante seis horas, a artista desenvolveu pinturas ao vivo em uma ação de longa duração que investigou relações entre som, cor, timbre, gesto e pintura. A performance ocupou o espaço do museu como um processo de criação aberto ao público, no qual as pinturas se transformaram ao longo do tempo em diálogo com uma composição sonora.

Foto: Ana Sol/ Divulgação
Neste domingo, 20 de setembro, Grisa dá continuidade a essa investigação em Recife, onde participa da SPA 2026 - Semana de Artes Visuais do Recife. A participação marca também um acontecimento importante em sua trajetória: a abertura de sua primeira exposição individual, na Casa Lontra.
Das 16h às 22h, a artista apresenta “Timbres Visíveis: composições sinestésicas”, performance de longa duração na qual pinturas são criadas ao vivo em diálogo com música e experimentação sonora. Voz, sintetizadores, theremin e instrumentos não convencionais integram a ação, enquanto imagens e sons se transformam ao longo das seis horas de trabalho. O público é convidado a circular pelo espaço, permanecer pelo tempo que desejar e acompanhar diferentes momentos do processo de criação.
As pinturas realizadas durante a performance passam a integrar a primeira exposição individual de Grisa, apresentada durante a programação da Semana de Artes Visuais do Recife.

Foto: Tom Barreto/ Divulgação
Paralelamente às apresentações no Nordeste, o trabalho visual de Grisa também está em exposição em Paris. Neste mês, a artista integra a exposição coletiva “Um dia após o outro”, promovida pela MonArt dentro da programação Septembre Brésilien, reunindo artistas brasileiros na capital francesa. A mostra acontece no famoso bairro artístico Marais, no 3º arrondissement de Paris - 30 Rue Chapon. A programação inclui ainda concertos ao vivo aos sábados.
A presença simultânea em Salvador, Recife e Paris marca um período de intensa circulação da produção de Grisa, justamente no momento em que a artista conclui uma importante etapa de sua trajetória acadêmica e amplia sua atuação no campo das artes visuais.

Foto: Sabrina Kozlowskcy/ Divulgação
Terceiro mestrado e pesquisa entre imagem e som:
Em setembro, Grisa obteve o grau de mestre em Artes, Cultura e Linguagens pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com uma pesquisa dedicada às relações entre imagem e som, sinestesia, sonificação de imagens e processos interdisciplinares de criação artística.
Entre os procedimentos estudados estão a sonificação de fotografias, a geração e manipulação de estruturas MIDI, ferramentas computacionais aplicadas à composição musical e a criação de autoestereogramas - imagens popularmente conhecidas como “olho mágico”.
Essas experiências extrapolam o ambiente acadêmico e atravessam diretamente a produção artística de Grisa. Em “Timbres Visíveis”, a pesquisa ganha uma dimensão performática: música e pintura são desenvolvidas como partes de um mesmo processo, tomando qualidades como timbre, cor, textura, densidade, intensidade, ritmo, repetição, sobreposição e continuidade como pontos de contato entre diferentes linguagens.
Trajetória entre arte, ciência e tecnologia:
Natural de Assis (SP) e atualmente baseada em São Paulo, Giovana Ribeiro Santos é engenheira mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e possui uma trajetória acadêmica desenvolvida entre o Brasil e a França.
Antes do mestrado em Artes, Cultura e Linguagens pela UFJF, concluiu dois mestrados na Le Mans Université, na França: o mestrado em Engenharia Acústica, de Vibrações e Sensores, pela ENSIM - École Nationale Supérieure d'Ingénieurs du Mans, e o mestrado em Acústica Teórica e Pesquisa Científica, pela Faculté des Sciences da Le Mans Université.
Ao longo de sua trajetória internacional, desenvolveu ainda pesquisas na Cité de la Musique - Philharmonie de Paris, na França, e no Acoustics and Audio Group / Edinburgh College of Art - The University of Edinburgh, na Escócia.
Como Grisa, sua produção transita entre música, artes visuais, ciência e tecnologia, tomando o timbre e a cor como matérias de experimentação e o gesto como elemento de articulação entre diferentes linguagens. Em suas performances, combina voz, sintetizadores, theremin e instrumentos não convencionais - acústicos, eletrônicos analógicos, digitais e híbridos -, muitos deles construídos pela própria artista.
Em 2025, lançou o álbum “Amor Trespasse”, pelo selo midsummer madness, trabalho desenvolvido durante residência artística na Casa Líquida, em São Paulo. Atualmente, prepara três novos álbuns - “Sistema-Mundo”, “Museu dos Erros Futuros” e “Invisível” - que incorporam, de diferentes maneiras, procedimentos desenvolvidos ao longo de sua pesquisa artística e acadêmica. Grisa também integra a banda sergipana Cidade Dormitório.
Serviço — Recife
Grisa — “Timbres Visíveis: composições sinestésicas”
SPA 2026 — Semana de Artes Visuais do Recife
20 de setembro de 2026, das 16h às 22h
Casa Lontra
Rua Bispo Cardoso Ayres, 72 — Soledade — Recife (PE)
Entrada gratuita
Serviço — Paris
Septembre Brésilien
MonArt apresenta “Um dia após o outro”
Direção curatorial: MonArt
30 rue Chapon, Marais, 75003 — Paris, França
Concertos ao vivo aos sábados, às 20h
Divulgação
24ºC - 17ºC

