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Alunos de Paraguaçu Paulista apresentam pesquisa sobre educação antirracista no Congresso da UNESP

19/09/2026 - Eles foram acompanhados pelos professores Eliana Cruz e Marcelino Pereira, idealizadores do projeto.



Estudantes da Escola Estadual Maria Ângela Batista Dias, de Paraguaçu Paulista, marcaram presença no Congresso da UNESP, no campus de Assis, para apresentar os resultados de um ano de intensas pesquisas científicas. O projeto, desenvolvido por meio do PIBIC Júnior (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica), é fruto de uma parceria entre a UNESP e o CNPq, e tem como foco central a educação antirracista através da análise da representação cultural na música brasileira ao longo das últimas décadas.

Coordenado pelos professores Eliana Cruz e Marcelino Pereira, o trabalho baseia-se na Lei nº 10.639 de 2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. "Nós pensamos no antirracismo porque o racismo fere, constrange e ainda é muito presente na nossa sociedade. Não adianta dizer que não existe ou que é 'mimimi'", afirma a professora Eliana. Segundo ela, o objetivo é promover o letramento racial de forma contínua: "É um trabalho de formiguinha no dia a dia da escola, buscando colher frutos no futuro".

Durante o congresso, os jovens pesquisadores do ensino médio puderam vivenciar a rotina universitária e demonstrar o potencial da escola pública na produção de conhecimento científico. A pesquisa dos alunos investigou as expressões do racismo e as formas de resistência nas letras de músicas de diferentes períodos:

- O racismo e a música dos anos 80 – uma década de reconhecimento e identidade: A estudante Rebeca Sunamita Batista Morgado abordou a relação da música na década e 1980 e as manifestações do racismo, considerando a produção artística como importante registro das transformações sociais. Ela destaou que a experiência de um ano de pesquisa de campo agregou muito conhecimento prático e expandiu seus horizontes ao permitir a proximidade com o ambiente acadêmico.

- Uma viagem pela música dos anos 90 e a violência racial: A estudante Maísa Eduarda Monteiro de Souza investigou a produção musical da década de 1990, cruzando as canções com referências bibliográficas da época. "Muitos autores mostravam que o racismo era censurado. Ele existia, mas as pessoas não consideravam que existia, apenas ignoravam", explicou a aluna, expressando gratidão pela oportunidade que promete abrir portas na universidade.

- Análise das facetas do racismo em nossa sociedade a partir de músicas populares dos anos 2000: O estudante Guilherme Augusto Domingues Leite concentrou sua análise nas produções a partir de 2010. Ele observou que, na atualidade, o racismo costuma se manifestar de forma mais oculta — como em "piadas internas" —, mas destacou o poder da arte. "Os cantores conseguiram moldar suas músicas para transformá-las em grandes formas de denúncia contra o preconceito racial e a discriminação", pontuou. Guilherme ressaltou ainda o orgulho de ocupar esse espaço: "Mostra que estudantes de escola pública conseguem sim ter um local na faculdade".

Ao final, a professora Eliana reforçou que o combate ao preconceito e o resgate histórico dos direitos da população negra são deveres coletivos que transcendem disciplinas. "Independentemente da sua área ou da cor da sua pele, você pode e deve trabalhar com a educação antirracista. Essa continuará sendo a premissa da nossa vida enquanto educadores", concluiu.

 



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