Intoxicação por sapos
14/09/2026 - Confira o artigo da Médica Veterinária Dra. Ana Beatriz de Oliveira.
Com a chegada do período de chuvas, é comum observarmos uma maior presença de sapos em quintais, jardins e áreas externas das residências. Para quem tem cães, esse contato merece atenção, pois algumas espécies de sapos possuem glândulas na pele, principalmente na região atrás dos olhos, capazes de liberar substâncias tóxicas como mecanismo de defesa. A intoxicação geralmente acontece quando o cão morde, abocanha ou lambe o sapo, permitindo que a toxina entre rapidamente em contato com a mucosa da boca.
Os primeiros sinais costumam surgir poucos minutos após o contato. Salivação intensa, espuma pela boca, irritação e vermelhidão da mucosa oral, tentativa de esfregar a boca com as patas, náuseas e vômitos estão entre as manifestações mais frequentes. Dependendo da quantidade de toxina envolvida e do tamanho do animal, o quadro pode evoluir rapidamente para alterações neurológicas e cardiovasculares, incluindo desorientação, dificuldade para caminhar, tremores, convulsões, alterações do ritmo cardíaco e, nos casos mais graves, risco de morte.
Ao perceber que o cão teve contato com um sapo, é importante agir rapidamente. A boca pode ser cuidadosamente enxaguada com água corrente, mantendo a cabeça do animal inclinada para baixo e direcionando a água para fora da boca, evitando que ele aspire ou engula o conteúdo. Se for possível realizar o procedimento com segurança, a mucosa oral também pode ser delicadamente limpa com um pano úmido. Não provoque vômito e não ofereça leite, medicamentos ou receitas caseiras.
Mesmo que o animal pareça melhorar após a limpeza da boca, a avaliação veterinária é recomendada, principalmente quando houver salivação persistente, vômitos, fraqueza, tremores, alterações de comportamento ou qualquer sinal neurológico. Não existe um antídoto específico para a maioria dessas intoxicações, portanto o tratamento é realizado de acordo com os sinais apresentados e pode envolver controle de convulsões, alterações cardíacas e demais complicações, além de monitoramento e suporte intensivo nos casos mais graves.
Durante os meses chuvosos, observar o quintal antes de soltar o cão, principalmente à noite, pode diminuir as chances de contato. Caso o acidente aconteça, reconhecer os sinais e procurar atendimento rapidamente pode fazer toda a diferença na evolução do paciente.
Dra. Ana Beatriz de Oliveira – Médica Veterinária | CRMV-SP 57.523
Pós-graduada em Dermatologia Veterinária e Clínica Médica de Pequenos Animais Fundadora da Vet Academy – Centro de Formação em Medicina Veterinária
Atuante nas áreas de Clínica Médica, Emergência e Terapia Intensiva de Pequenos Animais Colunista de Medicina Veterinária e Saúde Animal
Pós-graduanda em Oncologia Veterinária
Pós-graduanda em Endocrinologia Veterinária Pós-graduanda em Clínica Médica de Felinos Pós-graduanda em Diagnóstico por Imagem
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