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Quando a temperatura cai, o cuidado aumenta: como proteger cães e gatos durante o inverno

17/07/2026 - Confira o artigo da médica veterinária Dra. Ana Beatriz de Oliveira


Quando a temperatura cai, o cuidado aumenta: como proteger cães e gatos durante o inverno

Com a chegada do inverno, aumentamos os cuidados com nossa própria saúde: usamos roupas mais quentes, tomamos banhos aquecidos e evitamos a exposição prolongada ao frio. Mas você já parou para pensar que os nossos animais de estimação também precisam dessa atenção?

Uma curiosidade que poucos tutores conhecem é que cães e gatos possuem uma temperatura corporal naturalmente mais elevada que a dos seres humanos. Enquanto nossa temperatura gira em torno de 36,5°C a 37°C, nos cães e gatos ela varia entre 38°C e 39,2°C.

Isso acontece porque esses animais apresentam um metabolismo mais acelerado, maior produção de calor pelo organismo e mecanismos fisiológicos próprios de termorregulação, responsáveis por manter a temperatura corporal adequada para o funcionamento dos órgãos. Entretanto, isso não significa que sejam imunes ao frio. Assim como nós, eles também podem perder calor para o ambiente e sofrer com as baixas temperaturas.

Embora qualquer animal possa sentir frio, alguns grupos exigem atenção especial. Os filhotes ainda não desenvolveram completamente sua capacidade de regular a temperatura corporal, tornando-se mais vulneráveis à hipotermia. Já os animais idosos costumam apresentar redução do metabolismo, perda de massa muscular e doenças crônicas que dificultam a produção e conservação do calor corporal.

Outro grupo bastante sensível é formado pelas raças de pelo curto, como Pinscher, Boxer, Doberman, Whippet, Galgo Italiano, Chihuahua e outras semelhantes. Diferentemente das raças de pelagem densa ou dupla camada, esses animais possuem menor isolamento térmico natural, facilitando a perda de calor para o ambiente. Além disso, cães de pequeno porte apresentam maior relação entre superfície corporal e peso, o que favorece uma perda de calor ainda mais rápida.

Nesses casos, o uso de roupinhas deixa de ser apenas um acessório estético e passa a desempenhar um importante papel na manutenção da temperatura corporal. Elas funcionam como uma camada isolante, reduzindo a perda de calor para o ambiente, principalmente durante passeios, viagens ou em residências mais frias.

Entretanto, alguns cuidados são fundamentais. Animais de pelagem longa, como Shih-tzu, Lhasa Apso, Spitz Alemão, Maltês e Yorkshire, podem desenvolver nós e emaranhados quando permanecem muito tempo com roupas, principalmente se houver umidade. Esses emaranhados dificultam a ventilação da pele, favorecem o acúmulo de umidade e podem predispor ao desenvolvimento de dermatites, infecções bacterianas e fúngicas. Sempre que possível, retire a roupa durante parte do dia, mantenha a escovação frequente e utilize apenas peças limpas, secas e do tamanho adequado.

Além da proteção individual, o ambiente também merece atenção. Caminhas, cobertores e mantas devem permanecer sempre limpos e completamente secos, já que a umidade potencializa a sensação térmica de frio e favorece problemas dermatológicos. As casinhas e locais de descanso devem ser posicionados longe de correntes de vento e, sempre que possível, elevados do chão para reduzir a perda de calor por contato com superfícies frias.

Durante o inverno, alguns animais também apresentam um discreto aumento do gasto energético para manter a temperatura corporal, podendo demonstrar maior apetite. No entanto, isso não significa que qualquer alimento possa ser oferecido. É comum que, nesta época do ano, aumente o hábito de compartilhar alimentos da mesa com os pets, como chocolates, uvas, cebola, alho, alimentos gordurosos e doces, todos potencialmente tóxicos para cães e gatos. Caso queira oferecer um agrado, prefira petiscos específicos para a espécie ou alimentos seguros recomendados pelo médico-veterinário, como pequenas porções de frutas permitidas (maçã sem sementes, banana e melancia) e legumes cozidos sem tempero, sempre respeitando as necessidades individuais de cada animal.

Os banhos não precisam ser suspensos durante o inverno, desde que sejam realizados de maneira adequada. A frequência deve seguir a recomendação do médico-veterinário, podendo ser semanal, quinzenal ou mensal, conforme as características de cada paciente. O mais importante é utilizar água morna, promover uma secagem completa da pelagem e evitar que o animal permaneça úmido ou exposto ao frio após o banho. Contar com um pet shop de confiança, que utilize equipamentos adequados e siga protocolos de bem-estar animal, faz toda a diferença.

O frio, por si só, não é responsável pelo surgimento das doenças, mas pode favorecer situações que comprometem o sistema imunológico e agravam enfermidades já existentes, especialmente doenças respiratórias, articulares e cardiovasculares. Por esse motivo, medidas simples de manejo podem reduzir significativamente os riscos durante o inverno. Atualmente, existem diversos recursos desenvolvidos especificamente para proporcionar conforto térmico aos animais, como mantas, camas acolchoadas, bolsas térmicas veterinárias e colchões aquecidos com controle de temperatura.

Entretanto, o aquecimento deve ser realizado com segurança. O uso inadequado de secadores muito quentes, bolsas de água fervente, aquecedores elétricos sem supervisão ou contato direto com fontes de calor pode causar queimaduras graves, hipertermia e acidentes domésticos. Sempre que forem utilizados equipamentos de aquecimento, estes devem permanecer protegidos, com temperatura controlada e nunca em contato direto com a pele do animal.

O inverno representa um período que exige atenção especial aos cuidados com cães e gatos. Apesar de possuírem mecanismos fisiológicos eficientes para manter a temperatura corporal, determinados grupos como filhotes, idosos, animais debilitados e raças de pelo curto apresentam maior susceptibilidade aos efeitos das baixas temperaturas.

A adoção de medidas simples, como oferecer um ambiente seco e protegido, utilizar roupas quando indicadas, manter uma alimentação adequada, realizar banhos de forma segura e investir em métodos de aquecimento apropriados, contribui significativamente para a prevenção de problemas de saúde e para o bem-estar dos animais.

Mais do que proporcionar conforto, proteger os pets durante o inverno é uma forma de promover qualidade de vida, prevenir doenças e fortalecer o vínculo entre tutores e seus companheiros. Afinal, eles também sentem frio e merecem atravessar essa estação com segurança, saúde e muito carinho.

Autora:

Dra. Ana Beatriz de Oliveira

Médica Veterinária | CRMV-SP 57.523

Pós-graduada em Dermatologia Veterinária e Clínica Médica de Pequenos Animais Fundadora da Vet Academy – Centro de Formação em Medicina Veterinária

Coordenadora Clínica do CDA – Centro de Diagnóstico Animal

Atuante nas áreas de Clínica Médica, Emergência e Terapia Intensiva de Pequenos Animais

Colunista de Medicina Veterinária e Saúde Animal



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