Mulher perde quase R$ 5 mil em golpe do falso advogado em Assis
07/05/2026 - Criminosos se passaram pela sua advogada via WhatsApp
Uma moradora de Assis perdeu quase R$ 5 mil em um golpe aplicado na quarta-feira, 29 de abril. A vítima, de 44 anos, foi alvo do chamado “golpe do falso advogado”: criminosos se passaram pela sua advogada via WhatsApp, apresentaram documentos reais do processo judicial dela e, com a ajuda de um segundo golpista que fingiu ser funcionário do banco, esvaziaram a conta em menos de dois minutos.
O caso foi registrado na Delegacia Seccional de Assis como estelionato consumado. A vítima, que procurou o Portal AssisCity para relatar o golpe sofrido e alertar outras pessoas, registrou boletim de ocorrência no mesmo dia e acionou o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, mas até a publicação desta reportagem o valor ainda não havia sido devolvido.
Como o golpe foi aplicado
Tudo começou quando a moradora recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de um número salvo com o nome de sua advogada. O contato enviou um PDF com 19 páginas — o processo judicial real da vítima, com cabeçalho do Juízo da Vara Cível da Comarca de Assis — e informou que a causa havia sido ganha, com direito a receber R$ 127.920,00.
Em seguida, o golpista solicitou que a vítima enviasse o extrato bancário em PDF e os dados da conta para “cadastro no STJ”, alegando ser necessário para a liberação judicial do valor. A moradora atendeu ao pedido e encaminhou o documento.
Logo depois, um segundo criminoso entrou em contato por telefone, se apresentando como advogado jurídico responsável pelo caso. Na ligação, ele orientou a vítima a inserir um código no aplicativo do banco, sob o pretexto de “proteger o saldo”. A moradora seguiu as instruções — e a conta foi zerada em instantes.
“Ele me enganou certinho. Falou tudo o que eu tinha no meu processo e me enganou”, relatou a vítima ao Portal AssisCity.
Reação imediata, mas sem resposta do banco
Enquanto a vítima ainda estava na ligação com o golpista, o marido dela já ligava para o banco — a instituição onde a conta estava cadastrada. O banco confirmou que bloquearia tudo e que entraria em contato com a instituição de destino para tentar barrar a transferência. Foi aberto o MED e a vítima recebeu um número de protocolo.
Porém, o dinheiro não foi devolvido. O que chamou a atenção da família é que, no mesmo dia, o marido tentou realizar uma operação em outro banco usando os mesmos dados suspeitos — e, esta segunda instituição bloqueou a transação imediatamente, identificando a fraude de forma automática. O banco da vítima não teria feito o mesmo bloqueio preventivo, apesar do valor movimentado ser expressivo.
“Como que um valor alto e o banco não vê isso? É o que todo mundo da minha família está questionando”, disse a moradora.
Como os golpistas sabiam do processo?
A pergunta que mais intriga a vítima é: como os criminosos tiveram acesso a informações tão sensíveis sobre o processo — número, nome da advogada, valores e documentos? “Só eu e meu marido sabíamos, mais ninguém”, afirmou.
A resposta está na natureza pública dos processos judiciais. Conforme explica a Cartilha do Golpe do Falso Advogado, publicada pela OAB-SP, os autos processuais são, em regra, públicos, ou seja, qualquer pessoa pode consultar movimentações e decisões, e qualquer advogado com certificado digital tem acesso irrestrito ao sistema dos tribunais. Os golpistas exploram exatamente esse dado para dar credibilidade ao contato com a vítima, tornando o estelionato altamente convincente. O momento escolhido também não é por acaso: o golpe costuma ser aplicado justamente quando os valores estão prestes a ser liberados.
A vítima encaminhou todos os prints das conversas, o áudio da ligação e os documentos enviados pelos golpistas à Delegacia de Polícia de Assis, que investiga o caso.
Como não cair no golpe
A Cartilha do Golpe do Falso Advogado, elaborada pela Comissão de Direitos e Prerrogativas e pela Comissão de Fiscalização da Atividade Profissional da OAB-SP, traz uma série de orientações para quem possui processos judiciais em andamento. O documento alerta que esse tipo de golpe é atualizado constantemente, com os criminosos criando novas ferramentas — inclusive com uso de Inteligência Artificial — para dar ainda mais credibilidade à abordagem.
As principais recomendações são:
Nunca acredite em contatos de números desconhecidos, mesmo que demonstrem saber detalhes do seu processo. Processos judiciais são públicos e qualquer pessoa pode ter acesso a essas informações;
Sempre confirme a veracidade de qualquer informação recebida pelo WhatsApp ligando diretamente para o número oficial do escritório de advocacia, enviando e-mail pelos canais já utilizados anteriormente ou comparecendo pessoalmente ao escritório;
Nunca forneça dados bancários, extratos, senhas ou realize qualquer operação no aplicativo do banco a pedido de terceiros por telefone ou mensagem, mesmo que a pessoa se identifique como advogado, funcionário do banco ou representante do Judiciário;
Verifique os dados da conta bancária indicada para qualquer transferência. Pagamentos judiciais legítimos jamais são direcionados para contas de pessoas físicas desconhecidas;
Tenha em mente que advogados e escritórios legítimos não solicitam pagamentos prévios como condição para a liberação de valores ganhos em processos;
Salve o número real do seu advogado na agenda do celular e utilize apenas esse contato para tratar de assuntos relacionados ao processo;
Desconfie de mensagens inesperadas com “boas notícias” sobre processos, ainda que acompanhadas de documentos que pareçam oficiais. Em caso de dúvida, procure seu advogado pelos canais de sempre antes de tomar qualquer atitude.
O que fazer se você for vítima
O Portal AssisCity consultou o Dr. André Eustáquio da Fonseca, Delegado Titular do 4º DP de Assis, responsável pelas investigações de estelionato na Central de Polícia Judiciária do município. Segundo o delegado, nos casos de golpe do falso advogado, as principais orientações são:
Entrar imediatamente em contato com o banco pelos canais oficiais para acionar o MED (Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central);
Registrar boletim de ocorrência, presencialmente ou online;
Guardar todos os prints das conversas, comprovantes e gravações;
Comunicar o fato ao advogado real.
A Central de Polícia Judiciária de Assis fica na Avenida Otto Ribeiro, 700. Telefone: (18) 3209-1000.
Fonte: AssisCity
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