Sábado, 07 de Fevereiro Paraguaçu Paulista 32ºC - 20ºC veja mais

Mobilização para produzir vacina contra covid deixou legado para o SUS

20/01/2026 - Bio-Manguinhos/Fiocruz aproveita tecnologia em outras pesquisas


Mobilização para produzir vacina contra covid deixou legado para o SUS

No dia 8 de dezembro de 2020, menos de 1 ano após a primeira comunicação oficial sobre as infecções causadas pelo coronavírus, a britânica Margaret Keenan se tornava a primeira pessoa vacinada contra a doença no mundo fora dos ensaios clínicos.

A rapidez, classificada como suspeita por disseminadores de desinformação, na verdade foi uma demonstração do nível de mobilização global para controlar a doença, e uma vitória do acúmulo científico. A avaliação é da diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, uma das pessoas responsáveis por trazer a vacina ao Brasil. 

A pesquisadora explica que todas as vacinas, mesmo as vacinas de RNA e as de vetor viral, já eram plataformas estabelecidas, que já tinham sido desafiadas e usadas em outras situações.

"Elas só passaram por uma adequação. Não surgiram do nada. Tem muito acúmulo de pesquisa, muito acúmulo de conhecimento que foi aproveitado pro desenvolvimento rápido de novas vacinas", complementa.

Durante a pandemia, Rosane era vice-diretora de qualidade em Bio-Manguinhos, que é a unidade da Fiocruz responsável pela produção de vacinas, biofarmacos e kits diagnósticos. O instituto trouxe a vacina de Oxford/Astrazeneca para o Brasil, e entregou ao todo 190 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações.

Mobilização
O trabalho no instituto teve início assim que os casos de covid-19 começaram a se espalhar pelo mundo. Em março de 2020, no mesmo mês em que a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde, Bio-Manguinhos inaugurou sua produção de testes para o diagnóstico do vírus.

Em paralelo, outro grupo de trabalho dentro da instituição passou a prospectar vacinas em desenvolvimento, para identificar qual poderia ser trazida ao Brasil por meio de um contrato de transferência de tecnologia.

As negociações com a Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca começaram em agosto do mesmo ano e logo exigiram adaptações no instituto, a começar pela construção de um arcabouço jurídico que permitisse a transferência de tecnologia de um produto que ainda não estava pronto.

"A gente conseguiu porque nós paramos todas as outras atividades do instituto. Os grupos todos se voltaram para esse único objetivo de trazer a vacina, com muitos treinamentos diários".

"A gente teve uma mobilização da sociedade civil também muito grande para poder facilitar a compra de equipamentos, insumos, material".

Transferência de tecnologia
A primeira leva da vacina Oxford/Astrazeneca, com 2 milhões de vacinas prontas, chegou ao Brasil em janeiro de 2021, dias após a aprovação de uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aplicação começou no dia 23 de janeiro.

Já a partir de fevereiro, apenas o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da vacina continuou a ser importado, e o instituto passou a fazer o envaze, a rotulagem e o controle de qualidade nas suas próprias instalações.

As vacinas seguem agora para o Controle de Qualidade interno de Bio-Manguinhos, onde uma análise minuciosa irá garantir a sua integridade e segurança (foto: Bio-Manguinhos/Fiocruz)

Controle de Qualidade interno de Bio-Manguinhos durante a produção das vacinas contra covid-19 foto: Bio-Manguinhos/Fiocruz
Enquanto isso, lembra Rosane, áreas produtivas foram adaptadas para a última etapa da transferência de tecnologia: a produção do IFA em solo nacional. A partir de fevereiro de 2022, a população passou a receber a vacina 100% brasileira.

Rosane Cuber ressalta que todo esse processo foi facilitado pelas capacidades que Bio-Manguinhos já possuía, como principal laboratório público de desenvolvimento de vacinas do Brasil. A diretora explica ainda que a Anvisa acompanhou todo o processo de perto, reforçando a segurança da vacina.

"A gente já tem uma história muito grande de fazer transferência de tecnologia e de produzir aqui. Então, realmente, só foi possível porque Bio-Manguinhos tinha capacidade instalada. A gente já tem vacinas que são completamente nacionalizadas, que são produções nossas de muitos anos. E que possibilitaram não só um conhecimento técnico, mas também uma capacidade industrial instalada"

Legado
A produção da vacina pela Fiocruz foi interrompida com o fim da pandemia, depois que outras vacinas mais modernas passaram a ser adquiridas pelo Ministério da Saúde. O imunizante produzido pelo instituto foi o mais utilizado no Brasil em 2021, ano em que a imunização começou no Brasil. Especialistas estimam que 300 mil vidas foram poupadas apenas neste primeiro ano

“Só o fato da gente ter conseguido contornar e bloquear a covid no Brasil, isso por si só já bastaria como legado. Mas, além disso, esse processo nos deixou qualificados e com a estrutura fabril pronta para outros produtos que são importantes também para os SUS” afirma a diretora de Bio-Manguinhos.

Uma das heranças diretas desse período é a pesquisa para criar uma terapia avançada para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença rara e degenerativa que leva à perda da força muscular, afetando a mobilidade e até a deglutição e a respiração. Os medicamentos disponíveis chegam a custar R$ 7 milhões.

A terapia criada por Bio-Manguinhos utiliza uma plataforma de vetor viral, a mesma utilizada na vacina de Oxford/Astrazeneca. A Anvisa já autorizou os estudos clínicos para verificar a eficácia do medicamento, que devem começar este ano.

“São terapias caríssimas e que a gente vai conseguir fazer uma redução aí significativa de custo pro SUS”, reforça Rosane.

Este ano também começam os testes em humanos de uma vacina contra a covid-19 utilizando a tecnologia de RNA mensageiro, a mesma utilizada na vacina da Pfizer, por exemplo. Rosane Cuber explica que a plataforma já estava sendo estudada no instituto para o tratamento do câncer, mas a criação de vacinas de mRNA durante a pandemia abriu os horizontes de pesquisa também para essa finalidade. 

“Covid é um vírus que veio para ficar. Hoje, ele não é mais pandêmico, mas a gente ainda tem surtos. Se eu produzo essa vacina nacionalmente, eu reduzo o preço, e tem uma questão de soberania. Com uma vacina 100% nacional, você não precisa depender de ninguém”, defende Rosane Cuber.

O desempenho do instituto da Fiocruz durante a pandemia também aumentou a sua projeção global. Bio-Manguinhos é um dos seis laboratórios no mundo escolhidos como centro de produção pela Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias. Isso significa que, se uma nova epidemia ou pandemia acontecer, o laboratório brasileiro será acionado e receberá informações em primeira mão para desenvolver e produzir vacinas para toda a América Latina. 

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz também foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde como hub regional para o desenvolvimento de novos produtos com a plataforma de rna mensageiro. Rosane destaca a importância desse reconhecimento, considerando que Bio-Manguinhos é um laboratório público.

“O nosso direcionamento não é o lucro, mas sim aquilo que é lucro para sociedade. A gente faz entregas para a população brasileira”

 

Fonte: Agência Brasil



MAIS NOTÍCIAS

Casos & Causos: Conheça a trajetória literária da escritora Maria Aparecida Paiva, a Mariinha

Websérie foi idealizada e promovida pelo professor Marcelo Rufino e pelo escritor Adriano Nogueira.

Percentual de famílias com dívidas cresce, mas inadimplência cai

CNC mostra que 79,5% tinham débitos a acertar em janeiro.

Poupança tem retirada líquida de R$ 23,5 bilhões em janeiro

Rendimentos creditados nas contas somam R$ 6,4 bilhões, diz BC.

Você sabia que a hereditariedade é um dos fatores de risco mais comuns do glaucoma?

Oftalmologista Dr. Juliano Zanquetta Ceciliato fala da importância do acompanhamento oftalmológico.

Exame que detecta mais de 500 doenças tratáveis em bebês não precisa de pedido médico

Exame fica pronto em 20 dias e pode ser parcelado em até 10x no Laboratório Bioquímico.

'Saúde não espera', diz vereador sobre falta de transporte e medicamentos na saúde em Paraguaçu

O vereador Fábio Santos usou a tribuna da Casa de Leis para falar sobre a saúde no município.

Anvisa e MPF assinam acordo para combater cigarros eletrônicos

Parceria visa garantir resolução que proíbe comercialização dos vapes

Operação contra tráfico de drogas apreende pés de maconha e haxixe em Salto Grande

Ação da Policia resultou na prisão em flagrante de um homem

ANUNCIE DIVULGUE