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Brasília se prepara para receber Marcha Nacional das Mulheres Negras

24/11/2025 - Com nome Reparação e Bem Viver, evento ocorre nesta terça-feira, 25.


Brasília se prepara para receber Marcha Nacional das Mulheres Negras

Brasília já está em marcha. Na terça-feira (25), mulheres negras de todo o país marcharão na capital do país por Reparação e Bem Viver. Um dia gestado há, pelo menos dez anos, quando aconteceu a Primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras.

“Foi um marco histórico, considerando que foi a primeira marcha”, afirma a jornalista e militante do movimento negro, Jacira Silva.

Naquele ano, cerca de 50 mil mulheres marcharam na Esplanada dos Ministérios sob o tema Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver. Mulheres que vieram de várias partes do Brasil e que são esperadas, novamente, para ocupar as ruas da capital federal.

E por que as mulheres negras ainda marcham? Segundo as organizadoras do evento, ainda é preciso se mobilizar contra o racismo e o sexismo que marginalizam as mulheres negras.

Dados do Ministério da Igualdade Racial revelam que elas são o maior grupo populacional do Brasil. São cerca de 11,3 milhões de mulheres pretas e 49,3 milhões de pardas, totalizando 28% da população total.

Ser o grupo mais populoso de uma nação não significa proteção em relação a violências estruturais do nosso país. Historicamente, as mulheres negras acumulam os piores índices sociais.

Em 2022, por exemplo, sete anos após a primeira marcha nacional, a taxa de analfabetismo entre as mulheres negras era de 6,9%, o dobro da taxa de mulheres brancas (3,4%).

Elas marcham também pelos direitos dos povos tradicionais, pela preservação dos recursos naturais e de toda biodiversidade brasileira; por reparação histórica pelas dores geradas pela escravização; por um Estado que garanta os direitos de todas as pessoas; e por um modelo econômico sustentável e pelo Bem Viver.

Anfitriãs
Em Brasília, os espaços de mulheres negras estão se preparando há meses tanto para receber as participantes de outros Estados, quanto para mobilizar as mulheres que, cotidianamente, estão em contato com o trabalho realizado.

Um exemplo é a Casa Akotirene Quilombo Urbano, na Ceilândia Norte, que fica a cerca de 30 quilômetros do centro de Brasília e atende cerca de 250 mulheres, além de crianças e adolescentes que participam dos cursos e atividades culturais ofertados pelo espaço, que existe há sete anos.

Joice Marques preside a Casa e lembra que o espaço ainda não existia na época da primeira marcha. Ela destaca a importância e a alegria de poder marchar junto com as mulheres da Casa e as demais que virão à Brasília.

“A gente tem feito algumas atividades na casa, em parceria com as organizadoras da Marcha aqui no DF, em especial o pessoal da área da saúde mental”, conta.

“Pra gente é uma imensa alegria marchar com as mulheres da Casa Akotirene com as mulheres de tantos lugares do Brasil e de fora do Brasil também. Pra gente é um momento histórico, que diz que, de certa forma, estamos falando a mesma língua”.

Para ela, que está inserida no movimento negro fazendo parte do debate, estar com as mulheres da Casa tem um gosto especial. Isso porque, essas mulheres podem não estar dentro da academia, pensando o movimento de mulheres negras nas instâncias formais, mas estão dentro do território delas. "Também estão fazendo políticas de combate à violência, de combate ao racismo, com a sua comunidade, com a sua família”.

A casa e a rua
Na Casa Akotirene, as mulheres fazem cursos de informática, de costura, de música, de exercícios corporais, de tranças e, dessa forma, se descobrem negras.

“Eu sempre falo que, quando a gente está dentro da nossa casa, a gente é só uma pessoa, é só uma mulher. Quando a gente sai para rua, a gente já é uma mulher negra, então já tem uma subjetividade a mais para gente”, aponta Joice.

“E aí a gente vive tudo isso no racismo econômico, no racismo geográfico, no racismo dentro do mercado de trabalho. No racismo que tenta deslegitimizar a gente todos os dias, dizer que a gente não é capaz, que a gente não é intelectual suficiente. E eu acho que isso faz com que a gente entenda o quanto o racismo, a estrutura, ela é perversa", conta a educadora popular e produtora cultural que nasceu no Piauí e cresceu nas periferias do Distrito Federal.

A gestora da Casa Akotirene se apresenta como uma continuidade, um sonho dos seus ancestrais, tendo esse projeto com as mulheres da comunidade como sua grande paixão. E sabe da importância de ocupar, coletivamente, as ruas.

Nas mãos, elas vão levar um estandarte, feito de forma coletiva, e que carrega os anseios e sonhos dessas e de tantas outras mulheres negras que estarão em marcha por reparação e bem viver.

 

Fonte: Agência Brasil



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