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Pretos e pardos chefiam 3 de cada 4 lares em que se registrou fome

10/10/2025 - Condição atinge 24,4% dos domicílios onde o responsável é branco


Pretos e pardos chefiam 3 de cada 4 lares em que se registrou fome

A fome esteve mais presente em domicílios brasileiros chefiados por pessoas pretas ou pardas do que em lares chefiados por pessoas brancas. 

Em 2024, 1,4 milhão de lares chefiados por pardos e 424 mil chefiados por pretos representaram 73,8% do total de endereços (2,5 milhões) em condição de insegurança alimentar grave no país.

Isso significa que a cada quatro residências que viveram situação de fome praticamente três eram chefiadas por pessoas pretas ou pardas.

A constatação faz parte da edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua sobre segurança alimentar, divulgada nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para pesquisar a condição dos lares brasileiros, o IBGE visitou famílias em todas as partes do país e fez perguntas sobre hábitos alimentares referentes aos 90 dias anteriores à entrevista.

O instituto classifica como insegurança alimentar grave os casos em que foi relatada redução ou falta de alimentos para os moradores, incluindo as crianças. Nessa condição, a fome passa a ser uma experiência vivida no lar.

Os dados da pesquisa mostram desigualdade na constatação da fome, uma vez que pretos e pardos são responsáveis por 45,1% dos 78,3 milhões de domicílios do país. Já em relação aos brancos, eles são chefes de família de 41,5% do total de lares e de 24,4% dos endereços que presenciaram a fome em 2024.

Mulheres são maioria
O levantamento mostra ainda que houve desigualdade de gênero na presença da fome. As mulheres são chefes de família de 51,8% dos lares brasileiros. No entanto, de todos os domicílios em condição de insegurança alimentar grave, 57,6% têm uma mulher como responsável.

Ao agrupar todas as formas de insegurança alimentar (leve, moderada e grave), o percentual sobre para 59,9%, isto é, seis em cada dez lares chefiados por mulheres.

A insegurança alimentar leve representa que há preocupação ou incerteza quanto o acesso aos alimentos. Já na moderada, há redução ou falta da quantidade de comida entre adultos.

De acordo com a pesquisadora do IBGE Maria Lucia Vieira, os dados retratam a vulnerabilidade de pretos, pardos e mulheres em termos de rendimentos.

“A gente está falando de domicílios que costumam ter rendimentos mais baixos”.

Crianças 
A pesquisa mostra que 71,9% dos domicílios com insegurança alimentar grave ou moderada têm rendimento mensal por pessoa de até um salário mínimo.

Ao classificar a população por idade, o IBGE identificou que a população jovem enfrenta mais a insegurança alimentar grave (ou fome).

No grupo até 4 anos de idade, 3,3% moravam em domicílio que vivenciou a fome

  • De 5 a 17 anos, o percentual aumenta para 3,8%
  • Entre os adultos até 49 anos, a parcela cai para 2,8%
  • De 50 a 64 anos, 3,3% viviam em lares com insegurança alimentar grave
  • O menor patamar é no grupo de 65 anos ou mais: 2,3%
  • Um dos motivos que, segundo a pesquisadora Maria Lucia, pode explicar a maior vulnerabilidade das crianças é o fato de as regiões Norte e Nordeste terem os menores índices de segurança alimentar.

“São domicílios que têm ainda taxas de fecundidade mais elevadas que as demais regiões”, aponta.

 

Fonte: Agência Brasil



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