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Insolação em cães e gatos: quando o calor pode se tornar uma emergência

15/08/2026 - Confira o artigo da Médica Veterinária Dra. Ana Beatriz de Oliveira


Insolação em cães e gatos: quando o calor pode se tornar uma emergência

Com a chegada dos períodos de temperaturas mais elevadas, aumenta também a preocupação com a saúde dos animais de companhia. Cães e gatos podem sofrer intensamente com o calor e, em determinadas situações, desenvolver um quadro de hipertermia, popularmente conhecido como insolação. Trata-se de uma emergência veterinária que pode comprometer diversos órgãos e, em casos graves, levar o animal à morte.

A insolação acontece quando o organismo não consegue dissipar o calor adequadamente, fazendo com que a temperatura corporal aumente de forma perigosa. Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, o problema não ocorre apenas quando o animal fica exposto diretamente ao sol. Ambientes muito quentes, pouco ventilados, exercícios intensos em dias de alta temperatura e a permanência dentro de veículos podem desencadear o quadro.

Os cães apresentam maior predisposição porque dependem principalmente da respiração e da troca de calor pelas vias respiratórias para controlar sua temperatura corporal. Raças de focinho curto, como Pug, Bulldog, Shih-tzu e Boxer, merecem atenção especial, pois possuem maior dificuldade para realizar essa troca de calor. Animais obesos, idosos, muito jovens ou portadores de doenças cardíacas e respiratórias também podem apresentar maior risco.

Os sinais de alerta incluem respiração muito acelerada ou dificuldade para respirar, salivação excessiva, inquietação, fraqueza, apatia, vômitos, diarreia, dificuldade para caminhar, alterações de consciência, tremores, convulsões e, nos casos mais graves, perda de consciência.

É importante compreender que a insolação não deve ser subestimada. O aumento excessivo da temperatura corporal pode provocar alterações na circulação sanguínea e lesões em órgãos como fígado, rins, cérebro e sistema gastrointestinal. Também podem ocorrer alterações na coagulação do sangue, o que torna o quadro ainda mais grave.

E os gatos?

Embora os gatos sejam frequentemente mais discretos em relação aos sinais de desconforto, eles também podem sofrer com temperaturas elevadas. Gatos costumam procurar locais mais frescos e reduzir sua atividade durante períodos quentes, mas isso não significa que estejam livres do risco de hipertermia.

Especial atenção deve ser dada a gatos mantidos em ambientes fechados, pouco ventilados ou expostos ao calor excessivo. Animais com doenças respiratórias, cardíacas ou outras condições clínicas também podem apresentar maior dificuldade para lidar com temperaturas elevadas.

Como prevenir?

A prevenção é a melhor forma de proteger os animais durante os dias quentes. Algumas medidas simples podem fazer uma grande diferença:

  • Mantenha água fresca e limpa disponível durante todo o dia.
  • Garanta que o animal tenha acesso a locais ventilados e protegidos do sol.
  • Evite passeios e exercícios nos horários mais quentes. Prefira o início da manhã ou o final da tarde.
  • Nunca deixe cães ou gatos dentro de veículos estacionados, mesmo que as janelas estejam parcialmente abertas.
  • Durante viagens, faça pausas, mantenha o ambiente ventilado e observe constantemente o comportamento do animal.
  • Tenha atenção redobrada com animais obesos, idosos, braquicefálicos ou portadores de doenças cardíacas e respiratórias.
  • Não utilize ambientes extremamente quentes ou pouco ventilados para manter o animal durante longos períodos.

O que fazer se houver suspeita de insolação?

Ao perceber sinais compatíveis com hipertermia, o animal deve ser retirado imediatamente do ambiente quente e levado para um local fresco e ventilado. É possível iniciar um resfriamento gradual com água fresca, evitando métodos extremos.

Não é recomendado utilizar água extremamente gelada ou gelo diretamente sobre o corpo do animal, pois o resfriamento inadequado pode provocar alterações na circulação periférica e dificultar a dissipação do calor.

Mesmo que o animal apresente melhora após o resfriamento, a avaliação veterinária é fundamental. Algumas complicações podem surgir horas depois, mesmo quando os sinais iniciais parecem ter desaparecido.

A insolação é uma condição que pode evoluir rapidamente e exige atendimento veterinário. Quanto mais cedo o animal for avaliado e receber o tratamento adequado, maiores são as possibilidades de evitar complicações graves.

Cuidar durante o calor não significa apenas oferecer água. Significa observar o ambiente, respeitar os limites do animal e reconhecer os sinais de alerta.

Nos dias quentes, prevenção também é uma forma de salvar vidas.

 

*Dra. Ana Beatriz de Oliveira

Médica Veterinária | CRMV-SP 57.523

Pós-graduada em Dermatologia Veterinária e Clínica Médica de Pequenos Animais

Fundadora da Vet Academy Centro de Formação em Medicina Veterinária

Coordenadora Clínica do CDA – Centro de Diagnóstico Animal

Atuante nas áreas de Clínica Médica, Emergência e Terapia Intensiva de Pequenos Animais

Colunista de Medicina Veterinária e Saúde Animal



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